Pedir uma tabela de preços de limpeza e conservação é o primeiro movimento de quase todo gestor que vai abrir uma concorrência.
O pedido é razoável. A resposta honesta é incômoda: a tabela pronta não existe porque o preço não nasce do metro quadrado, nasce da composição do posto de trabalho.
O valor mensal é a soma do custo do posto, formado pelo salário da convenção coletiva mais 70% a 80% de encargos e provisões, multiplicado pela quantidade de postos que a área exige, somada a insumos, equipamentos, uniformes, supervisão, tributos e margem. Altere a produtividade por m² ou a frequência e o número muda inteiro.
Este texto abre cada linha dessa composição, mostra onde as propostas costumam divergir e entrega o roteiro para comparar três orçamentos sem comparar coisas diferentes.
Neste artigo você vai ver
- Por que o setor não trabalha com tabela de preço fechada
- Como se monta o custo de um posto de trabalho, linha por linha
- O papel da produtividade por m² na quantidade de postos
- O que insumos, equipamentos e supervisão representam no valor final
- Como comparar três propostas e identificar a que está subdimensionada
Por que o setor não publica tabela fechada
Limpeza e conservação é serviço de mão de obra alocada, não produto de catálogo.
Dois prédios com 1.000 m² cada podem ter preços que diferem em mais de 60%. Um é um andar corporativo com 40 pessoas e dois banheiros. O outro é um centro clínico com fluxo de 300 pessoas por dia.
A área é a mesma. O número de postos, a frequência de higienização dos sanitários e o volume de resíduo não são.
Existe ainda um motivo jurídico. O salário-base da categoria é definido em convenção coletiva com data-base em janeiro, e varia por função e por sindicato representativo.
Publicar tabela fixa seria ignorar que o principal item de custo é renegociado todo ano. Por isso propostas sérias de limpeza e conservação em São Paulo apresentam planilha de composição, não valor por metro.
A unidade real do orçamento é o posto, não o metro
Posto de trabalho é a vaga coberta, com jornada definida, e não a pessoa que ocupa a vaga.
Essa distinção tem efeito prático. Quando o titular falta, entra em férias ou sai, o posto continua precisando ser coberto, e essa cobertura já está dentro do custo.
A composição de um posto tem quatro blocos. O primeiro é o salário da função conforme a convenção coletiva aplicável.
O segundo são os encargos e provisões, que ficam entre 70% e 80% sobre a folha: INSS patronal, FGTS, décimo terceiro, férias com um terço, adicionais previstos e as provisões de rescisão.
O terceiro são os benefícios obrigatórios da convenção, como vale-transporte, auxílio-alimentação e, quando previsto, assistência médica ou odontológica.
O quarto é a cobertura de absenteísmo e férias. Em operação real o absenteísmo raramente fica abaixo de 5% ao mês, e quem não provisiona isso vai descontar o dia do cliente ou deixar o posto vazio.
Onde o cálculo do salário costuma errar
O erro mais comum é usar um número de piso ouvido em reunião ou copiado de proposta antiga.
O valor correto é o da convenção registrada no sistema Mediador do Ministério do Trabalho, para a função específica e para o sindicato que representa a categoria naquela base territorial.
Auxiliar de limpeza, encarregado e copeira têm pisos distintos. A conta do custo real a partir do piso está detalhada no artigo sobre piso salarial do auxiliar de limpeza terceirizado em SP.
Insalubridade é outro ponto sensível. Quando a atividade se enquadra nos anexos da NR-15, o adicional entra na base e altera encargos, provisões e o custo final do posto.
Produtividade por m²: o número que define quantos postos entram
Definido o custo de um posto, a pergunta seguinte é quantos postos a área exige.
O parâmetro de mercado para áreas administrativas de tráfego moderado fica entre 400 e 600 m² por profissional em jornada integral.
Em ambientes de alto tráfego, com recepção movimentada, refeitório ou sanitários de uso público, o intervalo cai para 250 a 400 m².
Esse número não é regra fixa. Ele depende do tipo de piso, da altura do pé-direito, da quantidade de sanitários e da frequência exigida em cada área.
Quando o fornecedor apresenta um preço muito abaixo dos concorrentes, a origem está quase sempre aqui: ele esticou a produtividade e vai entregar menos gente do que a área precisa. O raciocínio completo de dimensionamento está no material sobre produtividade por m² em limpeza.
Insumos, equipamentos e supervisão: a parcela que mais varia
Essa é a linha que mais separa proposta técnica de proposta improvisada.
Insumos incluem produtos de higienização, sacos de resíduo, papel toalha, papel higiênico e sabonete, quando o abastecimento é do contrato.
Equipamentos incluem carrinho funcional, mop, aspirador, enceradeira e lavadora, com depreciação e manutenção embutidas.
Uniforme e equipamento de proteção individual entram por obrigação legal. A NR-6 exige fornecimento gratuito de EPI com Certificado de Aprovação válido, além de treinamento e registro de entrega.
Supervisão é o item que desaparece primeiro nas propostas mais baratas. Sem visita periódica de encarregado não existe correção de rota, e a qualidade cai no segundo mês.
Em contratos de limpeza comercial essa linha costuma ficar entre 8% e 15% do valor mensal, variando com o nível de abastecimento incluído.
Frequência, turno e acesso encarecem sem mexer na área
Três variáveis elevam o preço sem alterar um metro quadrado do escopo.
A primeira é a frequência. Limpeza diária, três vezes por semana e quinzenal produzem três orçamentos diferentes para a mesma planta.
A segunda é o turno. Jornada noturna ou em finais de semana carrega adicional noturno, descanso semanal remunerado diferenciado e dificuldade de reposição.
A terceira é a condição de acesso. Fachada, poço de elevador, caixa d’água e casa de máquinas acionam NR-35 para trabalho em altura e NR-33 para espaço confinado, com treinamento, laudo e equipe específica.
Áreas críticas também mudam a conta. Ambiente de saúde segue a RDC 222/2018 da Anvisa no manejo de resíduos e a NR-32, o que exige profissional treinado e protocolo próprio.
Como comparar três propostas sem comparar coisas diferentes
A comparação só é válida quando as três propostas respondem ao mesmo escopo.
Antes de pedir preço, escreva a memória de escopo: área por tipo de ambiente, quantidade de sanitários, população fixa, horário permitido, frequência por área e quem fornece insumo.
Depois exija de cada fornecedor a mesma planilha aberta, com quantidade de postos, função, jornada, custo unitário do posto, insumos, equipamentos, supervisão e tributos.
Proposta sem quantidade de postos declarada não é proposta, é estimativa.
Com as planilhas lado a lado, compare primeiro a quantidade de postos. Se um fornecedor oferece dois e os outros oferecem três, o desconto dele não é eficiência, é escopo menor.
Tributos e regime: a linha que o jurídico pergunta depois
A carga tributária sobre o serviço depende do regime do fornecedor e entra na proposta como percentual sobre o faturamento.
Há ainda um item específico da cessão de mão de obra. O artigo 31 da Lei 8.212/1991 determina a retenção de 11% sobre o valor dos serviços, recolhida pelo contratante.
Essa retenção não é custo adicional, é antecipação de contribuição do prestador. Mas precisa estar prevista no contrato e refletida na nota fiscal, sob pena de discussão posterior.
Em seguida confira a cobertura de falta. Quem não provisiona substituição vai pedir desconto no mês em que o posto ficar vazio, e o problema volta para a sua mesa.
Por último, leia o prazo de implantação. Contrato que começa sem uniforme entregue e sem treinamento registrado nasce com pendência de NR-6.
Para contratos continuados em São Paulo Capital, a faixa praticada por uma empresa terceirizada de limpeza fica entre R$ 3.000 e R$ 15.000 por mês, conforme número de postos e jornada. O método de montagem dessa planilha está detalhado no artigo sobre como montar a planilha de custo por posto.
Perguntas frequentes
Existe preço médio por m² de limpeza e conservação?
Existe referência, mas ela só funciona como validação final. O cálculo correto parte do custo do posto e da produtividade exigida pelo ambiente.
Por que uma proposta vem 30% mais barata que as outras?
Em geral por produtividade esticada, supervisão retirada ou ausência de provisão de absenteísmo e rescisão. Compare a quantidade de postos antes do valor.
O reajuste pode acontecer a qualquer momento do contrato?
Em contrato bem redigido, não. O ajuste segue a data-base da categoria, em janeiro, com repasse único e memória de cálculo apresentada.
Insumos devem entrar no contrato ou ser comprados por mim?
As duas formas funcionam. Incluir no contrato simplifica a gestão; comprar à parte dá controle de consumo e exige rotina interna de reposição.
Sobre a Cavi Limpeza
A Cavi Limpeza e Serviços é uma Empresa de Limpeza em São Paulo fundada em julho de 2020, com mais de 20 contratos ativos em prestação continuada e atuação exclusivamente B2B.
Nossas propostas são entregues com planilha aberta de composição, posto por posto, para que o gestor compare escopo e não apenas valor final.
O contrato inclui Equipe Reserva de Emergência com reposição de profissional em até 24 horas, reajuste anual único na data-base de janeiro e documentação trabalhista entregue todo mês sem o cliente precisar cobrar.
Pronto para receber uma proposta com a conta aberta?
Envie a área por tipo de ambiente, a frequência desejada e o horário permitido. Devolvemos a composição completa em até 48 horas úteis, com quantidade de postos declarada.
Chame no WhatsApp (11) 99643-2950 ou fale com nossa equipe pela página de contato.